Arborea [02]

                                                                                         Kauli Debien
                                                                                   Make: Wendey D’Paula
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Andrei Tarkovsky

One of the greatest directors, in my opinion, a great artist, and an amazing photographer. Andrei Tarkovsky’s work is very special, with a higher sense for creating image as a dream. His movies are some kind dialogue with our subconscious. Paintings in motion.

That’s no words to describe his work, we need to feel it. Embrace it; for it seems to be in the geneses of what we understand of humam beings.

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Andrei_Tarkovsky_filmography

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Clemente

                                                              And then, we met him…

 

 

 

 

                                                                                                                          

Loren Eiseley

Algumas coisas que leio são espetacularmente visuais, fazendo-me retornar ao texto.

Resolvi postar o fragmento abaixo – de um livro adquirido em 1997 , não só pela beleza das palavras de Eiseley, um antropólogo americano, mas prioritariamente, porque esse é um blog sobre imagens. E elas estão em todos os lugares; visíveis ou não.

Ei-las, pois, invisíveis…

“Esse corvo é meu vizinho: nunca lhe fiz mal algum, mas ele tem o cuidado de se conservar no cimo das árvores, de voar alto e evitar a humanidade. O seu mundo principia onde a minha vista acaba. Ora, uma manhã, os nosso campos estavam mergulhados num nevoeiro extraordinariamente espesso, e eu me dirigia às apalpadelas para a estação. Bruscamente, à altura dos meus olho, surgiram duas asas negras, imensas, precedidas por um bico gigantesco, e tudo isso passou por um raio, soltando um grito de terror tal que eu faço votos para que nunca mais ouça coisa semelhante. Esse grito persegui-me durante toda a tarde. Cheguei a consultar o espelho, perguntando a mim próprio o que teria eu de tão revoltante…

“Acabei por perceber. A fronteira entre nossos dois mundos resvalara, devido ao nevoiro. Aquele corvo, que supunha voar à altitude habitual, vira de súbito um espetáculo espantoso, contrário para ele, às leis da natureza. Vira um homem caminhar no espaço, bem no centro do mundo dos corvos. Deparara com a manifestação de estranheza mais completa que um corvo pode conceber: um homem voador…

“Agora, quando me vê, lá do alto, solta pequenos gritos, e reconheço nesses gritos a incerteza de um espírito cujo universo foi abalado. Já não é, nunca mais será como os outros corvos…”

Loren Eiseley

 

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To be (ser/estar)

Penso que a Fotografia é mais do que equipamentos e sua própria técnica; ela está, também, em a verdadeira relação com o Ente fotografado.

Quando conseguimos encontrar eco entre o que acreditamos e o que fotografamos, imagens significativas podem ser reveladas.

Então, não realizaremos figuras estáticas, momentos congelados; apresentaremos nossos diálogos.

Temos a lembrança daquele instante, em que apertamos o disparador para realização da foto, mas se nos perguntassem:

“Como a imagem foi feita?” , é possível que a resposta seja:

“Isso me escapa… Eu apenas estava, realmente, lá.”

 

 

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The bass players

                                                                                                                                       http://www.myspace.com/zazubass

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Affonso Beato

O cinema é uma de minhas paixões e poço sempre fresco de alimento para minha mente. A fotografia em cinema é um dos trabalhos mais maravilhosos, em minha opinião; responsável por momentos absolutamente inesquecíveis na vida de cada indivíduo nesse planeta.

 Ás vezes é difícil dizer se  encanto-me com as histórias contadas ou pela forma com que são contadas: closes, temperaturas diversas. O cinema é material de pesquisa ativo, mutante.

 Um dos fotógrafos brasileiros que tenho prazer em acompanhar é Affonso Beato, um dos mais requisitados de sua geração. Tem em sua história trabalhos com Glauber Rocha, Walter Salles, Nelson Pereira dos Santos, Pedro Almodóvar (com os longas: Carne Trêmula, Tudo Por Minha Mãe, A Flor do Meu Segredo) E ainda, foi responsável pela fotografia do filme A Rainha.

 Neste trabalho, Beato trabalha com a linguagem fotográfica para retratar dois mundos completamente diferentes: o Primeiro Ministro Britânico Tony Blair (na época recém eleito) e a Rainha Elizabeth II; para tanto foram usadas três formas de imagens:

 – As cenas da família real foram feitas com câmera em tripé, 35mm, com movimentos lentos, quase estática.

 – As cenas de Blair foram feitas em Super 16, com câmera na mão, o que trouxe muito mais ação ás sequências.

 – Além disso, Beato utilizou cenas de noticiário, dando um enfoque documental,  dinâmico e trazendo tensão – própria da linguagem televisiva – ao tema do acidente da Princesa Diana.

 

 Portanto, a importância do tema é potencializada pela forma que utilizamos para exibi-lo; ou seja, linguagem, vai além da simples definição do instrumento fotográfico, mas dos métodos usados através deste instrumento.

 Fotografar algo requer estudo do objeto, dos significados e significantes envolvidos, em busca pela maneira revigorante de representação do mundo.

 

De quem é essa foto, tia?

chocolate

A imagem ao contrário do que se possa pensar não é, e nunca poderia ser desprovida de valor, ou significado próprio. Com efeito, a imagem é tudo aquilo que nos molda, nos conduz ao universo do simbolismo. Representa um portal entre individualidades, uma conexão suprema, entre os olhos diversos.

Em momentos diferentes da história humana, a imagem teve uma representatividade única, característica, mas nunca menor, em relação às outras formas simbólicas.

Nossos ancestrais entenderam seu poder, na utilização contingente de desenhos e formas, na tentativa primeira de registro.
Nós utilizamos a imagem como uma das principais formas de estímulo intelectual e sensitivo.

Saber o real significado de uma imagem torna-se tarefa hercúlea, posto que, a dimensão de portais de significados poderia fazer-nos vítimas de nossas próprias criações. Bem se sabe que certas imagens, não devidamente legendadas, trazem em si, a possibilidade, a bem dizer, infinita, de interpretações, uma vez que, milhões podem interpretá-las, e cada um tendo a possibilidade de viajar em formas incrivelmente distintas.

Acreditar no poder da imagem como forma direta de transmissão de valores por trazer em seu corpo a descrição de si mesma e a realidade do outro (aquele que a lê), parece ser ferramenta necessária à compreensão de nosso mundo, nossa história.

Portanto, não se pode dizer que uma imagem não tenha em si significado, porquanto, se apresenta a nós como significado e significante, anacrônica, completa; desvelando um universo de canais entre indivíduos, totalmente sem fronteiras, positiva ou negativamente, em prol da necessidade básica de nossa espécie: comunicação.