Arborea [02]

                                                                                         Kauli Debien
                                                                                   Make: Wendey D’Paula
.

The Bridge

 

 

Ontem, assisti ao documentário The Bridge de Eric Steel de 2006.

Inspirado por um artigo intitulado The Jumpers (Tad Friend para The New Yorker- 2003) o diretor realizou um ano de filmagens nas redondezas da Ponte Golden Gate.  Seu intuito: filmar os últimos momentos das pessoas que escolhiam aquele local como meio para o suicídio. 

Além das imagens realizadas na ponte, foram colhidos depoimentos de parentes e amigos dos que se suicidaram.

É difícil dizer se me parece justo com aquelas pessoas que suas imagens sejam assim tão simplesmente filmadas e distribuídas. Quadro a quadro de quedas cinematográficas, a angústia ao observar a água, os movimentos hesitantes ao longo das grades. O suicídio é um ato solo que pouco compreendemos.

Mas compreendo o papel da Arte, da Comunicação e, principalmente, a curiosidade humana.  Conseguimos nos identificar com aquelas pessoas reais que sofrem e não suportam suas dores.  Devemos nos identificar com esses indivíduos porque a capacidade de nos sensibilizar com a realidade do outro é uma das condições para nossa sanidade social.

As dificuldades enfrentadas por aquelas pessoas são mais que cotidianas: problemas amorosos, financeiros, problemas de auto estima, perda de entes queridos, distúrbios psicológicos. Dores pelas quais passamos todos os dias e a dor pode ser surpreendente.

Qual é a linha que nos separa? Uma ponte. Talvez uma ponte não tão longa como gostaríamos de imaginar.

Taurus [RA 04 37] [DEC+27.7] 172 -13 A.L.:460 por Rorschach

_

                                                                Diga-me, estrela: o que você vê?

_

 

fotografia: amanda carvalho

make: wendey d´paula

making /assistência: ellen azevedo

Clemente_3

                                                            

                                                                   He talked about his craft.

 

Clemente

                                                              And then, we met him…

 

 

 

 

                                                                                                                          

To be (ser/estar)

Penso que a Fotografia é mais do que equipamentos e sua própria técnica; ela está, também, em a verdadeira relação com o Ente fotografado.

Quando conseguimos encontrar eco entre o que acreditamos e o que fotografamos, imagens significativas podem ser reveladas.

Então, não realizaremos figuras estáticas, momentos congelados; apresentaremos nossos diálogos.

Temos a lembrança daquele instante, em que apertamos o disparador para realização da foto, mas se nos perguntassem:

“Como a imagem foi feita?” , é possível que a resposta seja:

“Isso me escapa… Eu apenas estava, realmente, lá.”

 

 

.

The bass players

                                                                                                                                       http://www.myspace.com/zazubass

.

De quem é essa foto, tia?

chocolate

A imagem ao contrário do que se possa pensar não é, e nunca poderia ser desprovida de valor, ou significado próprio. Com efeito, a imagem é tudo aquilo que nos molda, nos conduz ao universo do simbolismo. Representa um portal entre individualidades, uma conexão suprema, entre os olhos diversos.

Em momentos diferentes da história humana, a imagem teve uma representatividade única, característica, mas nunca menor, em relação às outras formas simbólicas.

Nossos ancestrais entenderam seu poder, na utilização contingente de desenhos e formas, na tentativa primeira de registro.
Nós utilizamos a imagem como uma das principais formas de estímulo intelectual e sensitivo.

Saber o real significado de uma imagem torna-se tarefa hercúlea, posto que, a dimensão de portais de significados poderia fazer-nos vítimas de nossas próprias criações. Bem se sabe que certas imagens, não devidamente legendadas, trazem em si, a possibilidade, a bem dizer, infinita, de interpretações, uma vez que, milhões podem interpretá-las, e cada um tendo a possibilidade de viajar em formas incrivelmente distintas.

Acreditar no poder da imagem como forma direta de transmissão de valores por trazer em seu corpo a descrição de si mesma e a realidade do outro (aquele que a lê), parece ser ferramenta necessária à compreensão de nosso mundo, nossa história.

Portanto, não se pode dizer que uma imagem não tenha em si significado, porquanto, se apresenta a nós como significado e significante, anacrônica, completa; desvelando um universo de canais entre indivíduos, totalmente sem fronteiras, positiva ou negativamente, em prol da necessidade básica de nossa espécie: comunicação.