K-Mart

Tom Cruise (Charlie Babbitt):  Who took this picture? 

Dustin Hoffman (Raymond Babbitt):  D-A-D. 

Tom Cruise (Charlie):  And you lived with us? 

Dustin Hoffman (Raymond):  Yeah, 10962 Beachcrest Street, Cincinnatti, Ohio. 

Tom Cruise (Charlie):  When did you leave? 

Dustin Hoffman(Raymond):  January 12, 1965. Very snowy that day. 12.2 inches of snow that day. 

Tom Cruise (Charliet): Just after Mom died. 

Dustin Hoffman(Raymond): Yeah Mom died January 5, 1965. 

Tom Cruise (Charlie): You remember that day. Was I there? Where was I? 

Dustin Hoffman(Raymond): You were in the window. You waved to me, “Bye bye Rain Man”, “Bye bye.” 

Tom Cruise (Charlie): [talking to the woman who answers the door] I’m sorry ma’am, I lied to you. I’m very sorry about that. That man right there is my brother and if he doesn’t get to watch ‘People’s Court’ in about 30 seconds, he’s gonna throw a fit right here on your porch. Now you can help me or you can stand there and watch it happen. 

Dustin Hoffman(Raymond): Ten minutes to Wapner. 

Dustin Hoffman(Raymond): Gotta get my boxer shorts at K-Mart. 

Tom Cruise (Charlie): What difference does it make where you buy underwear? Underwear! Underwear is Underwear! It’s Underwear wherever you buy it! In Cincinatti or Wherever! 

Dustin Hoffman(Raymond): K-Mart! 

Tom Cruise (Charlie): You know what I think Ray? I think this autisticism is a bunch of shit! Because you can’t tell me that you’re not in there somewhere! 

Dustin Hoffman(Raymond): Boxer shorts. K-Mart! 

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Andrei Tarkovsky

One of the greatest directors, in my opinion, a great artist, and an amazing photographer. Andrei Tarkovsky’s work is very special, with a higher sense for creating image as a dream. His movies are some kind dialogue with our subconscious. Paintings in motion.

That’s no words to describe his work, we need to feel it. Embrace it; for it seems to be in the geneses of what we understand of humam beings.

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Andrei_Tarkovsky_filmography

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Taurus [RA 04 37] [DEC+27.7] 172 -13 A.L.:460 por Rorschach

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                                                                Diga-me, estrela: o que você vê?

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fotografia: amanda carvalho

make: wendey d´paula

making /assistência: ellen azevedo

Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura.

 

Em seu livro Império do Grotesco, Muniz Sodrè carateriza nossa relação com as formas denominadas grotescas da estética e o desenvolvimento das mesmas nos meios midiáticos.

“A televisão se especializou num tipo de programa voltado para a ressonância imediata, atuando sobre a imediatez da vida coditiana. E como procedimento básico a TV privilegia fortemente a óptica do grotesco.

Primeiro, porque suscita o riso cruel (o gozo com o sofrimento e o ridículo do outro); segundo, porque a impotência humana, política ou social de que tanto se ri é imaginariamente compensada pela visão de sorteios e prêmios, uma vez que se tem em mente o sentimento crescente de que nenhuma política de Estado promove ou garante o bem -estar pessoal; terceiro, porque o grotesco chocante permite encenar o povo e, ao mesmo tempo, mantê-lo a distância – dão-se voz e imagem a ignorantes, ridículos, patéticos, violentados, mutilados, disformes, aberrantes, para mostrar a crua realidade popular, sem que o choque daí advindo chegue às causas sociais, mas permaneça na superfície irrisória dos efeitos.

Na realidade, as emissoras oferecem aquilo que elas e seu público desejam ver. O sistema televisivo mercadológico constituiu esse público que, ao longo dos anos, tornou-se ele próprio “audiência de TV”.

O telespectador, entretanto, não é vítima, e sim cúmplice passivo de uma situação a que se habituou.

Em sua existência miserável, costuma o telespectador sonhar com o acaso que o levará, pela sorte, a ser chamado pela produção de um “reality show” para transformar em espetáculo a sua aberração existencial e sair de lá com um eletrodoméstico qualquer como prêmio. O grotesco, dessa maneira, é o que arranca o telespectador de sua triste paralisia.

No tocante ao público, não se sustentam as hipóteses de um “voyeurismo” freudiano com relação ao “reality show”, pois o que se evidencia mesmo não é uma sexualidade de fundo, mas a fusão entre a banalidade dos fluxos televisivos e a existência banal dos telespectadores.

Após décadas de rebaixamento de padrões, o público em geral tornou-se esteticamente parte disso que os especialistas chamam de “trash” (lixo).

Daí o império da repetição exaustiva do banal.”

 

Loren Eiseley

Algumas coisas que leio são espetacularmente visuais, fazendo-me retornar ao texto.

Resolvi postar o fragmento abaixo – de um livro adquirido em 1997 , não só pela beleza das palavras de Eiseley, um antropólogo americano, mas prioritariamente, porque esse é um blog sobre imagens. E elas estão em todos os lugares; visíveis ou não.

Ei-las, pois, invisíveis…

“Esse corvo é meu vizinho: nunca lhe fiz mal algum, mas ele tem o cuidado de se conservar no cimo das árvores, de voar alto e evitar a humanidade. O seu mundo principia onde a minha vista acaba. Ora, uma manhã, os nosso campos estavam mergulhados num nevoeiro extraordinariamente espesso, e eu me dirigia às apalpadelas para a estação. Bruscamente, à altura dos meus olho, surgiram duas asas negras, imensas, precedidas por um bico gigantesco, e tudo isso passou por um raio, soltando um grito de terror tal que eu faço votos para que nunca mais ouça coisa semelhante. Esse grito persegui-me durante toda a tarde. Cheguei a consultar o espelho, perguntando a mim próprio o que teria eu de tão revoltante…

“Acabei por perceber. A fronteira entre nossos dois mundos resvalara, devido ao nevoiro. Aquele corvo, que supunha voar à altitude habitual, vira de súbito um espetáculo espantoso, contrário para ele, às leis da natureza. Vira um homem caminhar no espaço, bem no centro do mundo dos corvos. Deparara com a manifestação de estranheza mais completa que um corvo pode conceber: um homem voador…

“Agora, quando me vê, lá do alto, solta pequenos gritos, e reconheço nesses gritos a incerteza de um espírito cujo universo foi abalado. Já não é, nunca mais será como os outros corvos…”

Loren Eiseley

 

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To be (ser/estar)

Penso que a Fotografia é mais do que equipamentos e sua própria técnica; ela está, também, em a verdadeira relação com o Ente fotografado.

Quando conseguimos encontrar eco entre o que acreditamos e o que fotografamos, imagens significativas podem ser reveladas.

Então, não realizaremos figuras estáticas, momentos congelados; apresentaremos nossos diálogos.

Temos a lembrança daquele instante, em que apertamos o disparador para realização da foto, mas se nos perguntassem:

“Como a imagem foi feita?” , é possível que a resposta seja:

“Isso me escapa… Eu apenas estava, realmente, lá.”

 

 

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Kaspar Hauser – nosso outro

“Bom dia, Professor R.,

Venho, através desse email, parabenizá-lo pelo trabalho realizado no estudo K. H. Por acaso, encontrei-o e achei uma leitura agradável e interessante. O tema , claro, é fascinante, mas agradou me seu texto.

Porém, gostaria de levantar um ponto, se for possível. Quando colocas a questão do espelho, baseado nos estudo de Dolto, e, que este, discorre sobre a construção do indivíduo através da identificação de si mesmo por sua figura refletida, coloquei me a pensar sobre um ponto..

O passado humano..

O espelho é invenção deveras recente, se podemos assim colocar… Nossos nativos, donos de nossa pátria mãe, não utilizavam a giringonça ( nem sei se assim se escreve, rs) e , todavia, não creio que havia problemas de identidade ou reconhecimento .

A noção de que faziam parte da natureza se baseava em seu estilo de vida, totalmente depende da mesma, e não por uma incapacidade de distinção ou separação de papéis.

Utilizei-me do exemplo dos índios, mas poderia ir mais além.. Não creio que todas as civilizações que não utilizam espelhos sofriam com crises de identidades entre seus indivíduos. Acredito que o problema de K.H. foi, que mesmo tendo havido contato com outro ser humano, não lhe foi permitido estabelecer comunicação. Identificamos-nos através do outro, isso é fato. O outro é nosso espelho. Uma vez que não lhe foi permitido determinar quem era o outro, não pode determinar quem ele mesmo era – ou seja, os limites da existência do outro não foram estabelecidos, assim sendo, não foram determinados os próprios limites da existência de K.

A troca não foi estabelecida; troca esta, que nos limita como indivíduos. (limita no sentido de contornos – quem somos)

Desculpe-me se escrevi muita bobagem..rs

quem sou eu, também, para escrever para vc, não é mesmo?? rsrsr

Bom, nem me apresentei, já fui metralhando, rs

Deixe-me apresentar-me…”

  

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De quem é essa foto, tia?

chocolate

A imagem ao contrário do que se possa pensar não é, e nunca poderia ser desprovida de valor, ou significado próprio. Com efeito, a imagem é tudo aquilo que nos molda, nos conduz ao universo do simbolismo. Representa um portal entre individualidades, uma conexão suprema, entre os olhos diversos.

Em momentos diferentes da história humana, a imagem teve uma representatividade única, característica, mas nunca menor, em relação às outras formas simbólicas.

Nossos ancestrais entenderam seu poder, na utilização contingente de desenhos e formas, na tentativa primeira de registro.
Nós utilizamos a imagem como uma das principais formas de estímulo intelectual e sensitivo.

Saber o real significado de uma imagem torna-se tarefa hercúlea, posto que, a dimensão de portais de significados poderia fazer-nos vítimas de nossas próprias criações. Bem se sabe que certas imagens, não devidamente legendadas, trazem em si, a possibilidade, a bem dizer, infinita, de interpretações, uma vez que, milhões podem interpretá-las, e cada um tendo a possibilidade de viajar em formas incrivelmente distintas.

Acreditar no poder da imagem como forma direta de transmissão de valores por trazer em seu corpo a descrição de si mesma e a realidade do outro (aquele que a lê), parece ser ferramenta necessária à compreensão de nosso mundo, nossa história.

Portanto, não se pode dizer que uma imagem não tenha em si significado, porquanto, se apresenta a nós como significado e significante, anacrônica, completa; desvelando um universo de canais entre indivíduos, totalmente sem fronteiras, positiva ou negativamente, em prol da necessidade básica de nossa espécie: comunicação.