Goldie [2]

Marina Magalhães

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Arborea [02]

                                                                                         Kauli Debien
                                                                                   Make: Wendey D’Paula
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The Bridge

 

 

Ontem, assisti ao documentário The Bridge de Eric Steel de 2006.

Inspirado por um artigo intitulado The Jumpers (Tad Friend para The New Yorker- 2003) o diretor realizou um ano de filmagens nas redondezas da Ponte Golden Gate.  Seu intuito: filmar os últimos momentos das pessoas que escolhiam aquele local como meio para o suicídio. 

Além das imagens realizadas na ponte, foram colhidos depoimentos de parentes e amigos dos que se suicidaram.

É difícil dizer se me parece justo com aquelas pessoas que suas imagens sejam assim tão simplesmente filmadas e distribuídas. Quadro a quadro de quedas cinematográficas, a angústia ao observar a água, os movimentos hesitantes ao longo das grades. O suicídio é um ato solo que pouco compreendemos.

Mas compreendo o papel da Arte, da Comunicação e, principalmente, a curiosidade humana.  Conseguimos nos identificar com aquelas pessoas reais que sofrem e não suportam suas dores.  Devemos nos identificar com esses indivíduos porque a capacidade de nos sensibilizar com a realidade do outro é uma das condições para nossa sanidade social.

As dificuldades enfrentadas por aquelas pessoas são mais que cotidianas: problemas amorosos, financeiros, problemas de auto estima, perda de entes queridos, distúrbios psicológicos. Dores pelas quais passamos todos os dias e a dor pode ser surpreendente.

Qual é a linha que nos separa? Uma ponte. Talvez uma ponte não tão longa como gostaríamos de imaginar.

Andrei Tarkovsky

One of the greatest directors, in my opinion, a great artist, and an amazing photographer. Andrei Tarkovsky’s work is very special, with a higher sense for creating image as a dream. His movies are some kind dialogue with our subconscious. Paintings in motion.

That’s no words to describe his work, we need to feel it. Embrace it; for it seems to be in the geneses of what we understand of humam beings.

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Andrei_Tarkovsky_filmography

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Taurus [RA 04 37] [DEC+27.7] 172 -13 A.L.:460 por Rorschach

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                                                                Diga-me, estrela: o que você vê?

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fotografia: amanda carvalho

make: wendey d´paula

making /assistência: ellen azevedo

Clemente

                                                              And then, we met him…

 

 

 

 

                                                                                                                          

Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura.

 

Em seu livro Império do Grotesco, Muniz Sodrè carateriza nossa relação com as formas denominadas grotescas da estética e o desenvolvimento das mesmas nos meios midiáticos.

“A televisão se especializou num tipo de programa voltado para a ressonância imediata, atuando sobre a imediatez da vida coditiana. E como procedimento básico a TV privilegia fortemente a óptica do grotesco.

Primeiro, porque suscita o riso cruel (o gozo com o sofrimento e o ridículo do outro); segundo, porque a impotência humana, política ou social de que tanto se ri é imaginariamente compensada pela visão de sorteios e prêmios, uma vez que se tem em mente o sentimento crescente de que nenhuma política de Estado promove ou garante o bem -estar pessoal; terceiro, porque o grotesco chocante permite encenar o povo e, ao mesmo tempo, mantê-lo a distância – dão-se voz e imagem a ignorantes, ridículos, patéticos, violentados, mutilados, disformes, aberrantes, para mostrar a crua realidade popular, sem que o choque daí advindo chegue às causas sociais, mas permaneça na superfície irrisória dos efeitos.

Na realidade, as emissoras oferecem aquilo que elas e seu público desejam ver. O sistema televisivo mercadológico constituiu esse público que, ao longo dos anos, tornou-se ele próprio “audiência de TV”.

O telespectador, entretanto, não é vítima, e sim cúmplice passivo de uma situação a que se habituou.

Em sua existência miserável, costuma o telespectador sonhar com o acaso que o levará, pela sorte, a ser chamado pela produção de um “reality show” para transformar em espetáculo a sua aberração existencial e sair de lá com um eletrodoméstico qualquer como prêmio. O grotesco, dessa maneira, é o que arranca o telespectador de sua triste paralisia.

No tocante ao público, não se sustentam as hipóteses de um “voyeurismo” freudiano com relação ao “reality show”, pois o que se evidencia mesmo não é uma sexualidade de fundo, mas a fusão entre a banalidade dos fluxos televisivos e a existência banal dos telespectadores.

Após décadas de rebaixamento de padrões, o público em geral tornou-se esteticamente parte disso que os especialistas chamam de “trash” (lixo).

Daí o império da repetição exaustiva do banal.”

 

Loren Eiseley

Algumas coisas que leio são espetacularmente visuais, fazendo-me retornar ao texto.

Resolvi postar o fragmento abaixo – de um livro adquirido em 1997 , não só pela beleza das palavras de Eiseley, um antropólogo americano, mas prioritariamente, porque esse é um blog sobre imagens. E elas estão em todos os lugares; visíveis ou não.

Ei-las, pois, invisíveis…

“Esse corvo é meu vizinho: nunca lhe fiz mal algum, mas ele tem o cuidado de se conservar no cimo das árvores, de voar alto e evitar a humanidade. O seu mundo principia onde a minha vista acaba. Ora, uma manhã, os nosso campos estavam mergulhados num nevoeiro extraordinariamente espesso, e eu me dirigia às apalpadelas para a estação. Bruscamente, à altura dos meus olho, surgiram duas asas negras, imensas, precedidas por um bico gigantesco, e tudo isso passou por um raio, soltando um grito de terror tal que eu faço votos para que nunca mais ouça coisa semelhante. Esse grito persegui-me durante toda a tarde. Cheguei a consultar o espelho, perguntando a mim próprio o que teria eu de tão revoltante…

“Acabei por perceber. A fronteira entre nossos dois mundos resvalara, devido ao nevoiro. Aquele corvo, que supunha voar à altitude habitual, vira de súbito um espetáculo espantoso, contrário para ele, às leis da natureza. Vira um homem caminhar no espaço, bem no centro do mundo dos corvos. Deparara com a manifestação de estranheza mais completa que um corvo pode conceber: um homem voador…

“Agora, quando me vê, lá do alto, solta pequenos gritos, e reconheço nesses gritos a incerteza de um espírito cujo universo foi abalado. Já não é, nunca mais será como os outros corvos…”

Loren Eiseley

 

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