The Bridge

 

 

Ontem, assisti ao documentário The Bridge de Eric Steel de 2006.

Inspirado por um artigo intitulado The Jumpers (Tad Friend para The New Yorker- 2003) o diretor realizou um ano de filmagens nas redondezas da Ponte Golden Gate.  Seu intuito: filmar os últimos momentos das pessoas que escolhiam aquele local como meio para o suicídio. 

Além das imagens realizadas na ponte, foram colhidos depoimentos de parentes e amigos dos que se suicidaram.

É difícil dizer se me parece justo com aquelas pessoas que suas imagens sejam assim tão simplesmente filmadas e distribuídas. Quadro a quadro de quedas cinematográficas, a angústia ao observar a água, os movimentos hesitantes ao longo das grades. O suicídio é um ato solo que pouco compreendemos.

Mas compreendo o papel da Arte, da Comunicação e, principalmente, a curiosidade humana.  Conseguimos nos identificar com aquelas pessoas reais que sofrem e não suportam suas dores.  Devemos nos identificar com esses indivíduos porque a capacidade de nos sensibilizar com a realidade do outro é uma das condições para nossa sanidade social.

As dificuldades enfrentadas por aquelas pessoas são mais que cotidianas: problemas amorosos, financeiros, problemas de auto estima, perda de entes queridos, distúrbios psicológicos. Dores pelas quais passamos todos os dias e a dor pode ser surpreendente.

Qual é a linha que nos separa? Uma ponte. Talvez uma ponte não tão longa como gostaríamos de imaginar.

Andrei Tarkovsky

One of the greatest directors, in my opinion, a great artist, and an amazing photographer. Andrei Tarkovsky’s work is very special, with a higher sense for creating image as a dream. His movies are some kind dialogue with our subconscious. Paintings in motion.

That’s no words to describe his work, we need to feel it. Embrace it; for it seems to be in the geneses of what we understand of humam beings.

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Andrei_Tarkovsky_filmography

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                                                                   He talked about his craft.

 

To be (ser/estar)

Penso que a Fotografia é mais do que equipamentos e sua própria técnica; ela está, também, em a verdadeira relação com o Ente fotografado.

Quando conseguimos encontrar eco entre o que acreditamos e o que fotografamos, imagens significativas podem ser reveladas.

Então, não realizaremos figuras estáticas, momentos congelados; apresentaremos nossos diálogos.

Temos a lembrança daquele instante, em que apertamos o disparador para realização da foto, mas se nos perguntassem:

“Como a imagem foi feita?” , é possível que a resposta seja:

“Isso me escapa… Eu apenas estava, realmente, lá.”

 

 

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Coletivo DMG

O Coletivo DMG foi criado em 2007 pelo fotógrafo Daniel Magalhães inicialmente com a finalidade de formar uma equipe para produção de books. Hoje, o grupo conta com sete integrantes e tem como objetivo oferecer, além dos trabalhos fotográficos, material na área de música, moda, design e vídeo; com trabalhos cada vez mais completos que integrem os meios de atuação de seus componentes.

Confira o trabalho do Coletivo em www.coletivodmg.com.br/dmg/

O Coletivo hoje é composto por:

Amanda Carvalho – Fotografia

Daniel Magalhães – Fotografia

Dayene Oliveira– Design

Debora Gradinetti – Maquiagem /Desing

Maira Onofri – Video

Rachel Grandinetti –Moda

Thiago Caires – Musica/ Video

Coletivo

Algum tempo atrás, tive a idéia de desenvolver um projeto para reformulação de atividades do ensino pré-escolar no qual sugeria ás instituições participantes que substituíssem as aulas de Artes Plásticas por aulas de Teatro.

Minha sugestão baseava-se no fato de que – sem demérito para as atividades individuais – a segunda, poderia desenvolver senso de cooperação, amizade, coleguismo, além de demonstrar aos pequenos nossa interdependência no mundo e a importância de cada um de nós para o crescimento uns dos outros.

Tendo estudado ambas as atividades, entendia que o processo criativo poderia fluir tanto pela Pintura, Desenho ou Escultura, como pelos caminhos da Interpretação, da Literatura. Mas, percebia que o Teatro funcionaria como um meio maior, abraçando, não só suas funções, mas desenvolvendo noções de espaço, liderança, e, o mais importante, noção do conjunto, do grupo, algo importantíssimo para a formação do ser humano.

O resultado da realização de uma peça teatral é o esforço de profissionais de áreas diversas – atores, diretores, maquiadores, técnicos de luz e som, autores, figurinistas, coreógrafos – que, absolutamente, não conseguiriam chegar a um denominador caso algum dos elos dessa corrente se rompesse ou não trabalhasse em dedicação á sua função, agregando elementos, vitalidade.

Cada função é tão importante e única, que são complementares.

Assim é o mundo. Os processos são realizados por grupos de pessoas dedicadas á causas afins. Pessoas diferentes, com objetivos pontuais.

Nunca cheguei a apresentar a tal proposta, mas alegro-me em ver que as antigas ‘cia´s de teatro’ ultrapassaram as coxias e  transfiguraram-se em grupos com ideais (ainda) revolucionários e criativos, com propostas que buscam, efetivamente, a atividade artísitca em seus diversos ramos e o bem Coletivo: www.coletivodmg.com.br/

 

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Imagem: Ilustração de Giacomo Franco, em Giacomo Franco e Jacopo Palma II, Regole per Imparar a Disegnar, Venice (Sadeler) 1636 

Photo Journalism – Getty Images

Como bem sabemos, o período de festas é praticamente impossível fazer algo fora do previamente definido, sempre em correria, entrando rápido, saindo aos trancos; e foi assim que encontrei algo interessante em uma livraria, mas não podia verificar com mais calma.

Janeiro, ao contrário, é o mês da tranquilidade.

Tive a felicidade de começar 2010 com a aquisição de um livro que encontrei em prateleira no Natal do ano passado: trata-se do Photo Journalism  Editado pela Könemann com imagens da Getty Images.

O livro nos leva ao longo de 160 anos de história da fotografia – por que não dizer, da história da humanidade – através de cenas cotidianas ou grandes eventos como espetáculos musicais, guerras, manifestações, além de apresentar portraits de grandes indivíduos que nos moldaram e colocaram seus nomes em nossa caminhada como Darwin, Monet, Rodin, ou mesmo, a belíssima, Mata Hari. As sessões são divididas em duas partes escolhidas por:

Nick Yapp de 1850 a 1918 – a vida das ruas, Indústria, casa e transporte, Artes, pessoas, aviação, Ciência, Revolução Russa, conflitos, Primeira, Guerra, entres outros;

Amanda Hopkinson de 1918 ao presente – o nascimento do Fascismo, Nazismo, Segunda Guerra, Pós Segunda Guerra, Guerra Fria, Cinema, espaço, esporte, anos 1980, a saúde do planeta, 9/11, entre outros.

 As imagens são seguidas de descrições dos acontecimentos em três idiomas, o inglês, francês e alemão, o que o transforma, o livro, em objeto de pesquisa de vida.

São mais de 800 páginas que, absolutamente, nos transportam para outro Universo, aquele em nos perdemos como seres iguais, de uma raça inventora de uma máquina que capta luz.

Conhecer a nossa história, através dessas imagens, em última análise, desses relatos, não só nos torna melhores como seres humanos, mas, alimenta nossas mentes para processos criativos futuros, em busca constante das melhores representações de nossas realidades através de nossa arte, nossa voz: a fotografia.

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De quem é essa foto, tia?

chocolate

A imagem ao contrário do que se possa pensar não é, e nunca poderia ser desprovida de valor, ou significado próprio. Com efeito, a imagem é tudo aquilo que nos molda, nos conduz ao universo do simbolismo. Representa um portal entre individualidades, uma conexão suprema, entre os olhos diversos.

Em momentos diferentes da história humana, a imagem teve uma representatividade única, característica, mas nunca menor, em relação às outras formas simbólicas.

Nossos ancestrais entenderam seu poder, na utilização contingente de desenhos e formas, na tentativa primeira de registro.
Nós utilizamos a imagem como uma das principais formas de estímulo intelectual e sensitivo.

Saber o real significado de uma imagem torna-se tarefa hercúlea, posto que, a dimensão de portais de significados poderia fazer-nos vítimas de nossas próprias criações. Bem se sabe que certas imagens, não devidamente legendadas, trazem em si, a possibilidade, a bem dizer, infinita, de interpretações, uma vez que, milhões podem interpretá-las, e cada um tendo a possibilidade de viajar em formas incrivelmente distintas.

Acreditar no poder da imagem como forma direta de transmissão de valores por trazer em seu corpo a descrição de si mesma e a realidade do outro (aquele que a lê), parece ser ferramenta necessária à compreensão de nosso mundo, nossa história.

Portanto, não se pode dizer que uma imagem não tenha em si significado, porquanto, se apresenta a nós como significado e significante, anacrônica, completa; desvelando um universo de canais entre indivíduos, totalmente sem fronteiras, positiva ou negativamente, em prol da necessidade básica de nossa espécie: comunicação.