K-Mart

Tom Cruise (Charlie Babbitt):  Who took this picture? 

Dustin Hoffman (Raymond Babbitt):  D-A-D. 

Tom Cruise (Charlie):  And you lived with us? 

Dustin Hoffman (Raymond):  Yeah, 10962 Beachcrest Street, Cincinnatti, Ohio. 

Tom Cruise (Charlie):  When did you leave? 

Dustin Hoffman(Raymond):  January 12, 1965. Very snowy that day. 12.2 inches of snow that day. 

Tom Cruise (Charliet): Just after Mom died. 

Dustin Hoffman(Raymond): Yeah Mom died January 5, 1965. 

Tom Cruise (Charlie): You remember that day. Was I there? Where was I? 

Dustin Hoffman(Raymond): You were in the window. You waved to me, “Bye bye Rain Man”, “Bye bye.” 

Tom Cruise (Charlie): [talking to the woman who answers the door] I’m sorry ma’am, I lied to you. I’m very sorry about that. That man right there is my brother and if he doesn’t get to watch ‘People’s Court’ in about 30 seconds, he’s gonna throw a fit right here on your porch. Now you can help me or you can stand there and watch it happen. 

Dustin Hoffman(Raymond): Ten minutes to Wapner. 

Dustin Hoffman(Raymond): Gotta get my boxer shorts at K-Mart. 

Tom Cruise (Charlie): What difference does it make where you buy underwear? Underwear! Underwear is Underwear! It’s Underwear wherever you buy it! In Cincinatti or Wherever! 

Dustin Hoffman(Raymond): K-Mart! 

Tom Cruise (Charlie): You know what I think Ray? I think this autisticism is a bunch of shit! Because you can’t tell me that you’re not in there somewhere! 

Dustin Hoffman(Raymond): Boxer shorts. K-Mart! 

The Bridge

 

 

Ontem, assisti ao documentário The Bridge de Eric Steel de 2006.

Inspirado por um artigo intitulado The Jumpers (Tad Friend para The New Yorker- 2003) o diretor realizou um ano de filmagens nas redondezas da Ponte Golden Gate.  Seu intuito: filmar os últimos momentos das pessoas que escolhiam aquele local como meio para o suicídio. 

Além das imagens realizadas na ponte, foram colhidos depoimentos de parentes e amigos dos que se suicidaram.

É difícil dizer se me parece justo com aquelas pessoas que suas imagens sejam assim tão simplesmente filmadas e distribuídas. Quadro a quadro de quedas cinematográficas, a angústia ao observar a água, os movimentos hesitantes ao longo das grades. O suicídio é um ato solo que pouco compreendemos.

Mas compreendo o papel da Arte, da Comunicação e, principalmente, a curiosidade humana.  Conseguimos nos identificar com aquelas pessoas reais que sofrem e não suportam suas dores.  Devemos nos identificar com esses indivíduos porque a capacidade de nos sensibilizar com a realidade do outro é uma das condições para nossa sanidade social.

As dificuldades enfrentadas por aquelas pessoas são mais que cotidianas: problemas amorosos, financeiros, problemas de auto estima, perda de entes queridos, distúrbios psicológicos. Dores pelas quais passamos todos os dias e a dor pode ser surpreendente.

Qual é a linha que nos separa? Uma ponte. Talvez uma ponte não tão longa como gostaríamos de imaginar.

Andrei Tarkovsky

One of the greatest directors, in my opinion, a great artist, and an amazing photographer. Andrei Tarkovsky’s work is very special, with a higher sense for creating image as a dream. His movies are some kind dialogue with our subconscious. Paintings in motion.

That’s no words to describe his work, we need to feel it. Embrace it; for it seems to be in the geneses of what we understand of humam beings.

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Andrei_Tarkovsky_filmography

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Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura.

 

Em seu livro Império do Grotesco, Muniz Sodrè carateriza nossa relação com as formas denominadas grotescas da estética e o desenvolvimento das mesmas nos meios midiáticos.

“A televisão se especializou num tipo de programa voltado para a ressonância imediata, atuando sobre a imediatez da vida coditiana. E como procedimento básico a TV privilegia fortemente a óptica do grotesco.

Primeiro, porque suscita o riso cruel (o gozo com o sofrimento e o ridículo do outro); segundo, porque a impotência humana, política ou social de que tanto se ri é imaginariamente compensada pela visão de sorteios e prêmios, uma vez que se tem em mente o sentimento crescente de que nenhuma política de Estado promove ou garante o bem -estar pessoal; terceiro, porque o grotesco chocante permite encenar o povo e, ao mesmo tempo, mantê-lo a distância – dão-se voz e imagem a ignorantes, ridículos, patéticos, violentados, mutilados, disformes, aberrantes, para mostrar a crua realidade popular, sem que o choque daí advindo chegue às causas sociais, mas permaneça na superfície irrisória dos efeitos.

Na realidade, as emissoras oferecem aquilo que elas e seu público desejam ver. O sistema televisivo mercadológico constituiu esse público que, ao longo dos anos, tornou-se ele próprio “audiência de TV”.

O telespectador, entretanto, não é vítima, e sim cúmplice passivo de uma situação a que se habituou.

Em sua existência miserável, costuma o telespectador sonhar com o acaso que o levará, pela sorte, a ser chamado pela produção de um “reality show” para transformar em espetáculo a sua aberração existencial e sair de lá com um eletrodoméstico qualquer como prêmio. O grotesco, dessa maneira, é o que arranca o telespectador de sua triste paralisia.

No tocante ao público, não se sustentam as hipóteses de um “voyeurismo” freudiano com relação ao “reality show”, pois o que se evidencia mesmo não é uma sexualidade de fundo, mas a fusão entre a banalidade dos fluxos televisivos e a existência banal dos telespectadores.

Após décadas de rebaixamento de padrões, o público em geral tornou-se esteticamente parte disso que os especialistas chamam de “trash” (lixo).

Daí o império da repetição exaustiva do banal.”

 

Loren Eiseley

Algumas coisas que leio são espetacularmente visuais, fazendo-me retornar ao texto.

Resolvi postar o fragmento abaixo – de um livro adquirido em 1997 , não só pela beleza das palavras de Eiseley, um antropólogo americano, mas prioritariamente, porque esse é um blog sobre imagens. E elas estão em todos os lugares; visíveis ou não.

Ei-las, pois, invisíveis…

“Esse corvo é meu vizinho: nunca lhe fiz mal algum, mas ele tem o cuidado de se conservar no cimo das árvores, de voar alto e evitar a humanidade. O seu mundo principia onde a minha vista acaba. Ora, uma manhã, os nosso campos estavam mergulhados num nevoeiro extraordinariamente espesso, e eu me dirigia às apalpadelas para a estação. Bruscamente, à altura dos meus olho, surgiram duas asas negras, imensas, precedidas por um bico gigantesco, e tudo isso passou por um raio, soltando um grito de terror tal que eu faço votos para que nunca mais ouça coisa semelhante. Esse grito persegui-me durante toda a tarde. Cheguei a consultar o espelho, perguntando a mim próprio o que teria eu de tão revoltante…

“Acabei por perceber. A fronteira entre nossos dois mundos resvalara, devido ao nevoiro. Aquele corvo, que supunha voar à altitude habitual, vira de súbito um espetáculo espantoso, contrário para ele, às leis da natureza. Vira um homem caminhar no espaço, bem no centro do mundo dos corvos. Deparara com a manifestação de estranheza mais completa que um corvo pode conceber: um homem voador…

“Agora, quando me vê, lá do alto, solta pequenos gritos, e reconheço nesses gritos a incerteza de um espírito cujo universo foi abalado. Já não é, nunca mais será como os outros corvos…”

Loren Eiseley

 

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To be (ser/estar)

Penso que a Fotografia é mais do que equipamentos e sua própria técnica; ela está, também, em a verdadeira relação com o Ente fotografado.

Quando conseguimos encontrar eco entre o que acreditamos e o que fotografamos, imagens significativas podem ser reveladas.

Então, não realizaremos figuras estáticas, momentos congelados; apresentaremos nossos diálogos.

Temos a lembrança daquele instante, em que apertamos o disparador para realização da foto, mas se nos perguntassem:

“Como a imagem foi feita?” , é possível que a resposta seja:

“Isso me escapa… Eu apenas estava, realmente, lá.”

 

 

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Coletivo DMG

O Coletivo DMG foi criado em 2007 pelo fotógrafo Daniel Magalhães inicialmente com a finalidade de formar uma equipe para produção de books. Hoje, o grupo conta com sete integrantes e tem como objetivo oferecer, além dos trabalhos fotográficos, material na área de música, moda, design e vídeo; com trabalhos cada vez mais completos que integrem os meios de atuação de seus componentes.

Confira o trabalho do Coletivo em www.coletivodmg.com.br/dmg/

O Coletivo hoje é composto por:

Amanda Carvalho – Fotografia

Daniel Magalhães – Fotografia

Dayene Oliveira– Design

Debora Gradinetti – Maquiagem /Desing

Maira Onofri – Video

Rachel Grandinetti –Moda

Thiago Caires – Musica/ Video

Alice – Neco Z Alenky

A beleza de certas histórias está sempre a nos surpreender- não importa nossa idade – e fornece material para releituras geniais, em diversos momentos.

A aventura daentendiada garotinha chamada Alice que é presenteada por Lewis Carroll com cenas espetaculares receberá sua mais nova versão para o cinema. Adoro Tim Burton, mas – não me levem a mal – todo esse movimento tecnológico-digital está ficando um pouco cansativo…

Por isso, resolvi escrever sobre outra Alice; uma Alice, não menos surreal – como todas elas devem ser – mas, um pouco mais sombria, assustadora, e bem menos’ infantil’: trata-se de Neco Z Alenky de Jan Svankmajer de 1988.

O filme é um trabalho incrível das técnicas de live action e stop motion o que traz uma sensação de estranheza e beleza. As personagens, além das tradicionais: Chapeleiro Louco, Coelho Branco, a Rainha de Copas, são seres que poderiam, facilmente, ter saído de algum filme de terror: esqueletos de animais, porcos que choram como bebês, minhocas que falam através de suas dentaduras e outras…

Todo esse universo foi dramaticamente iluminado:  sombras bem definidas>  iluminação vindo do alto, muito contraluz; tudo usado com pouca compensação.  A fotografia é de Svatopluk Maly; volumoso, tenso, como o mundo daqueles que enfiam cogumelos e poções mágicas na boca deve ser.

Neco Z Alenky ainda reserva surpresas, com cenas interessantíssimas não encontradas no livro, mas que dão novo sabor á história; e ainda permite ao espectador uma reflexão sobre esse louco sonho da fofa protagonista. Alice (como é conhecido em versão em inglês) é uma ótima opção para aqueles que apreciam o cinema como arte, a fotografia como função primeira dessa arte e, claro, um excelente livro. 


Direção: Jan Svankmajer

Produção: Peter-Christian Fueter

Escrito por: Lewis Carroll e Adaptação: Jan Svankmajer

Staring: Kristvina Kohoutová (Camila Power – Versão Inglês)

Edição: Marie Zemanoyá

Fotografia: Svatopluk Maly

País: Checoslováquia

Coletivo

Algum tempo atrás, tive a idéia de desenvolver um projeto para reformulação de atividades do ensino pré-escolar no qual sugeria ás instituições participantes que substituíssem as aulas de Artes Plásticas por aulas de Teatro.

Minha sugestão baseava-se no fato de que – sem demérito para as atividades individuais – a segunda, poderia desenvolver senso de cooperação, amizade, coleguismo, além de demonstrar aos pequenos nossa interdependência no mundo e a importância de cada um de nós para o crescimento uns dos outros.

Tendo estudado ambas as atividades, entendia que o processo criativo poderia fluir tanto pela Pintura, Desenho ou Escultura, como pelos caminhos da Interpretação, da Literatura. Mas, percebia que o Teatro funcionaria como um meio maior, abraçando, não só suas funções, mas desenvolvendo noções de espaço, liderança, e, o mais importante, noção do conjunto, do grupo, algo importantíssimo para a formação do ser humano.

O resultado da realização de uma peça teatral é o esforço de profissionais de áreas diversas – atores, diretores, maquiadores, técnicos de luz e som, autores, figurinistas, coreógrafos – que, absolutamente, não conseguiriam chegar a um denominador caso algum dos elos dessa corrente se rompesse ou não trabalhasse em dedicação á sua função, agregando elementos, vitalidade.

Cada função é tão importante e única, que são complementares.

Assim é o mundo. Os processos são realizados por grupos de pessoas dedicadas á causas afins. Pessoas diferentes, com objetivos pontuais.

Nunca cheguei a apresentar a tal proposta, mas alegro-me em ver que as antigas ‘cia´s de teatro’ ultrapassaram as coxias e  transfiguraram-se em grupos com ideais (ainda) revolucionários e criativos, com propostas que buscam, efetivamente, a atividade artísitca em seus diversos ramos e o bem Coletivo: www.coletivodmg.com.br/

 

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Imagem: Ilustração de Giacomo Franco, em Giacomo Franco e Jacopo Palma II, Regole per Imparar a Disegnar, Venice (Sadeler) 1636 

Photo Journalism – Getty Images

Como bem sabemos, o período de festas é praticamente impossível fazer algo fora do previamente definido, sempre em correria, entrando rápido, saindo aos trancos; e foi assim que encontrei algo interessante em uma livraria, mas não podia verificar com mais calma.

Janeiro, ao contrário, é o mês da tranquilidade.

Tive a felicidade de começar 2010 com a aquisição de um livro que encontrei em prateleira no Natal do ano passado: trata-se do Photo Journalism  Editado pela Könemann com imagens da Getty Images.

O livro nos leva ao longo de 160 anos de história da fotografia – por que não dizer, da história da humanidade – através de cenas cotidianas ou grandes eventos como espetáculos musicais, guerras, manifestações, além de apresentar portraits de grandes indivíduos que nos moldaram e colocaram seus nomes em nossa caminhada como Darwin, Monet, Rodin, ou mesmo, a belíssima, Mata Hari. As sessões são divididas em duas partes escolhidas por:

Nick Yapp de 1850 a 1918 – a vida das ruas, Indústria, casa e transporte, Artes, pessoas, aviação, Ciência, Revolução Russa, conflitos, Primeira, Guerra, entres outros;

Amanda Hopkinson de 1918 ao presente – o nascimento do Fascismo, Nazismo, Segunda Guerra, Pós Segunda Guerra, Guerra Fria, Cinema, espaço, esporte, anos 1980, a saúde do planeta, 9/11, entre outros.

 As imagens são seguidas de descrições dos acontecimentos em três idiomas, o inglês, francês e alemão, o que o transforma, o livro, em objeto de pesquisa de vida.

São mais de 800 páginas que, absolutamente, nos transportam para outro Universo, aquele em nos perdemos como seres iguais, de uma raça inventora de uma máquina que capta luz.

Conhecer a nossa história, através dessas imagens, em última análise, desses relatos, não só nos torna melhores como seres humanos, mas, alimenta nossas mentes para processos criativos futuros, em busca constante das melhores representações de nossas realidades através de nossa arte, nossa voz: a fotografia.

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Nossa imagens

Com o advento da fotografia digital vimos um BOOM de imagens. A produção fotográfica – por qualquer meio – telefone celular, web cam, máquina fotográfica digital, etc. – disparou em números que mal podem ser calculados. Os instrumentos aliados aos meios de propagação dessas imagens facilitaram sua divulgação, disseminação e popularização.

Esse fenômeno trouxe ares de unidade ao planeta, as distâncias parecem não significar quase nada; admiramos produções visuais sendo criadas em tempo real do outro lado do mundo.

A questão é que somos os mesmos seres humanos, ou, se sofremos mudanças, elas ainda não podem ser notadas. Nossos aparelhos cerebrais não conseguem armazenar um número maior de imagens, posto que, nossa memória não sofreu ‘up grade’. Ainda conservamos as mesmas capacidades de retenção daquilo que foi visualizado por nossos olhos e então, questiono: clicamos demais? Existe utilidade real para o ‘mundo’ de produtos visuais que estão sendo criados nesse momento, jogando na rede, estocados em computadores, em cartões, em CDs, em pen drives, em todo mundo, sendo que nossa sensibilidade não consegue absorver boa parte do material produzido? Estamos nós outros, da área da fotografia trabalhando com inteligência e qualidade? Produzimos material relevante, importante, em última análise, memorável?

A busca pelo trabalho e elaboração de caminhos inusitados parecem se perder em meio ao apelo pela quantidade. As barreiras entre a produção em massa de imagens digitais e os trabalhos criativos podem definir nossa geração, a primeira da era da imagem digital.

Pensando em trabalhos criativos com imagens criadas em todo o mundo, gosto das idéias de Craig Giffen criador do HUMAN CLOCK (http://www.humanclock.com/)

O conceito é genial: as imagens exibem o horário do dia. Somente isso. Bem, temos 1.440 minutos ao longo de 24 horas no dia, isso significa que é possível visualizar muitas imagens diferentes em um só dia! Mas, o mais divertido: no início, Graig fazia tudo sozinho, hoje é possível enviar a sua prórpia criação, uma paisagem e um horário, sua família e um horário, o que você quiser fotografar e um horário.

Para visualizar as horas, basta clicar em View The Clock

Algo divertido, simples e muito criativo.

Interessante para saciar nosso desejo de fotografar, ou, apenas, nosso desejo em utilizar os meios mais modernos (ou não) e possíveis  para registro de imagens e capturar um momento no tempo. Graig Giffen é , ainda, o criador o HUMAN CALENDAR.

 

images from humanclock.com

Fotografias Imaginárias

Capturei a luz que criastes em tua mente

Sombras de quem fomos, ou

O lado escuro de quem ainda sou.

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Registro possível do improvável

Guardado no canto de nosso canto secreto

Mente iluminada, caixa de segredos.

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Mantém-se distante do tempo

Seguro de corrosão,

Mostre-me os dentes, feroz, íntimo, coringa.

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Capturei a cor que fulgura em sua alma

Como se ainda o conhecesse, certeza de dúvida.

Séculos em horas, enfim.

Pois, sim, aqui estou com ASAs;

Diga-me: oi.

 

 

A Village Lost and Found – Brian May e Elena Vidal

Este é o nome do livro lançado pelo guitarrista do Queen, Brian May, que tem como tema de pesquisa a Fotografia Estereoscópica.

Um marco na história da fotografia no século 19, a idéia era criar pares de imagens realizadas com objetivas gêmeas com distâncias focais com diferença de 6,3 cm – a distância média entre os olhos humanos. Tais imagens quando admiradas através utensílios binoculares especiais criariam a sensação de tridimensionalidade para o observador.

Em A Village Lost and Found, produto da investigação de mais de 30 anos de May e sua co-autora, historiadora fotográfica Elena Vidal, apresenta estudo exaustivo das cenas em uma aldeia. A vila, cuja identidade foi perdida por 150 anos, só recentemente foi redescoberta por May, em 2003, e ainda existe em Oxfordshire, Inglaterra. A série é completa com imagens recolhidas pela primeira vez juntamente com material relacionado, incluindo muitas fotografias correspondentes da aldeia, como é hoje.

O trabalho publicado no livro é do fotografo Thomas Richard Williams (1824-1871) que começou sua carreira fotográfica na década de 1840 como aprendiz do renomado fotógrafo e inventor  Antoine Claudet. É dito que ele o superou na arte de pintar imagens fotográficas. Pouco depois da ‘Grande Exposição’ ele abriu seu primeiro estúdio fotográfico em Lambeth, em Londres, onde se especializou em fazer retratos daguerreótipos estereoscópicos. Ele também começou a produzir estéreo naturezas mortas e composições artísticas, e em 1856 ele publicou, com a London Stereoscopic Company, a primeira série que incluiu o lançamento do HMS Marlborough em 1855 – um precursor da fotografia de imprensa como a conhecemos hoje. Sua segunda série publicada pela LSC foi o Palácio de Cristal conjunto que incluiu a inauguração do Palácio de Cristal em Sydenham em 1854.

Sua terceira série foi Cenas em Nossa Aldeia, talvez sua obra mais decisiva, e completamente original em conceito. Retratos estéreo TR Williams se tornaram tão populares que sua fama chegou aos ouvidos da Casa Real, e em 21 de novembro de 1856 ele foi contratado para fotografar a Princesa Victoria em seu aniversário de 16 anos. Nos anos seguintes, ele realizou mais retratos Reais, incluindo o casamento da princesa Victoria. No final da década de 1850, a mania estereoscópica atingiu proporções enormes.

Os impressos e publicações foram produzidos em taxas quase alarmante, às vezes às custas da qualidade. Fiel às suas normas e desencantado com o rumo dos acontecimentos, Williams decidiu cessar a produção de placas estéreo, ele sentiu que havia se tornado vulgarizado por imitação.

Brian May, CBE, PhD, FRAS, é um dos membros fundadores do Queen, um renomado guitarrista, compositor, produtor e intérprete. Brian teve que adiar uma carreira em astronomia quando a popularidade de Queen explodiu, mas após 30 anos como músico de rock, foi capaz de retornar à astrofísica e em 2006, completou seu doutorado e realizou projetos como a co-autoria de seu primeiro livro Bang ! A História Completa do Universo com Patrick Moore e Chris Lintott. Estereografia tem sido uma longa paixão na vida de Brian.

Elena Vidal tem trabalhado como conservadora de pinturas em Florença, Espanha e Reino Unido. Graduou-se como um mestrado em conservação fotográfica na Camberwell School of Arts, e posteriormente especializou-se em História da Fotografia Estereoscópica. Desde a reunião Brian May, em 1997, Elena tem colaborado com ele em um estudo de longo prazo em Thomas Richard Williams, e tem publicado vários artigos.

Video: Itau Personalité

O trabalho realizado nesse video do Banco Itaú é,realmente, muito bonito.

 A técnica utilizada é  tilt-shift e com ela temos a impressão de olhar para imagens em miniatura. Em fotografia já era possível ver alguns trabalhos nessa linha (sempre instigante), em video não foi diferente.

Mas, quando estamos diante de um trabalho publicitário, outros elementos o compõem. Em minha opinião, o texto nessa peça está desassociado das imagens.
O efeito da lente – o que a torna tão incrível – é fazer com que as coisas e pessoas tomem aparência dinimuta, quase como brinquedos pequeninos e a primeira frase do comercial é: “Você tem o tamanho dos seus sonhos “. (!)

Então, existe uma sequencia de lindas imagens , com pessoas fazendo coisas que , possivelmente, são importante para elas, mas que foram apresentadas na escala das formigas.. o que, volto a dizer, em minha análise, não fica muito bem.

A narração continua, a respeito de nossos sonhos e estes, minúsculos, sendo observado bem de cima, o que não ajuda em nada o texto que quer enfatizar o quanto são importantes para o banco.

Enfim, o trabalho é lindo, a técnica é incrível, o texto é bem escrito, mas juntos não funcionam.

A necessidade de se observar o global, o todo, de forma a compreender se os elos que fazem parte da corrente estão em harmonia é fator vital para o trabalho de Comunicação na criação, evitando assim desvios na cadeia informativa.

Affonso Beato

O cinema é uma de minhas paixões e poço sempre fresco de alimento para minha mente. A fotografia em cinema é um dos trabalhos mais maravilhosos, em minha opinião; responsável por momentos absolutamente inesquecíveis na vida de cada indivíduo nesse planeta.

 Ás vezes é difícil dizer se  encanto-me com as histórias contadas ou pela forma com que são contadas: closes, temperaturas diversas. O cinema é material de pesquisa ativo, mutante.

 Um dos fotógrafos brasileiros que tenho prazer em acompanhar é Affonso Beato, um dos mais requisitados de sua geração. Tem em sua história trabalhos com Glauber Rocha, Walter Salles, Nelson Pereira dos Santos, Pedro Almodóvar (com os longas: Carne Trêmula, Tudo Por Minha Mãe, A Flor do Meu Segredo) E ainda, foi responsável pela fotografia do filme A Rainha.

 Neste trabalho, Beato trabalha com a linguagem fotográfica para retratar dois mundos completamente diferentes: o Primeiro Ministro Britânico Tony Blair (na época recém eleito) e a Rainha Elizabeth II; para tanto foram usadas três formas de imagens:

 – As cenas da família real foram feitas com câmera em tripé, 35mm, com movimentos lentos, quase estática.

 – As cenas de Blair foram feitas em Super 16, com câmera na mão, o que trouxe muito mais ação ás sequências.

 – Além disso, Beato utilizou cenas de noticiário, dando um enfoque documental,  dinâmico e trazendo tensão – própria da linguagem televisiva – ao tema do acidente da Princesa Diana.

 

 Portanto, a importância do tema é potencializada pela forma que utilizamos para exibi-lo; ou seja, linguagem, vai além da simples definição do instrumento fotográfico, mas dos métodos usados através deste instrumento.

 Fotografar algo requer estudo do objeto, dos significados e significantes envolvidos, em busca pela maneira revigorante de representação do mundo.

 

Kaspar Hauser – nosso outro

“Bom dia, Professor R.,

Venho, através desse email, parabenizá-lo pelo trabalho realizado no estudo K. H. Por acaso, encontrei-o e achei uma leitura agradável e interessante. O tema , claro, é fascinante, mas agradou me seu texto.

Porém, gostaria de levantar um ponto, se for possível. Quando colocas a questão do espelho, baseado nos estudo de Dolto, e, que este, discorre sobre a construção do indivíduo através da identificação de si mesmo por sua figura refletida, coloquei me a pensar sobre um ponto..

O passado humano..

O espelho é invenção deveras recente, se podemos assim colocar… Nossos nativos, donos de nossa pátria mãe, não utilizavam a giringonça ( nem sei se assim se escreve, rs) e , todavia, não creio que havia problemas de identidade ou reconhecimento .

A noção de que faziam parte da natureza se baseava em seu estilo de vida, totalmente depende da mesma, e não por uma incapacidade de distinção ou separação de papéis.

Utilizei-me do exemplo dos índios, mas poderia ir mais além.. Não creio que todas as civilizações que não utilizam espelhos sofriam com crises de identidades entre seus indivíduos. Acredito que o problema de K.H. foi, que mesmo tendo havido contato com outro ser humano, não lhe foi permitido estabelecer comunicação. Identificamos-nos através do outro, isso é fato. O outro é nosso espelho. Uma vez que não lhe foi permitido determinar quem era o outro, não pode determinar quem ele mesmo era – ou seja, os limites da existência do outro não foram estabelecidos, assim sendo, não foram determinados os próprios limites da existência de K.

A troca não foi estabelecida; troca esta, que nos limita como indivíduos. (limita no sentido de contornos – quem somos)

Desculpe-me se escrevi muita bobagem..rs

quem sou eu, também, para escrever para vc, não é mesmo?? rsrsr

Bom, nem me apresentei, já fui metralhando, rs

Deixe-me apresentar-me…”

  

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De quem é essa foto, tia?

chocolate

A imagem ao contrário do que se possa pensar não é, e nunca poderia ser desprovida de valor, ou significado próprio. Com efeito, a imagem é tudo aquilo que nos molda, nos conduz ao universo do simbolismo. Representa um portal entre individualidades, uma conexão suprema, entre os olhos diversos.

Em momentos diferentes da história humana, a imagem teve uma representatividade única, característica, mas nunca menor, em relação às outras formas simbólicas.

Nossos ancestrais entenderam seu poder, na utilização contingente de desenhos e formas, na tentativa primeira de registro.
Nós utilizamos a imagem como uma das principais formas de estímulo intelectual e sensitivo.

Saber o real significado de uma imagem torna-se tarefa hercúlea, posto que, a dimensão de portais de significados poderia fazer-nos vítimas de nossas próprias criações. Bem se sabe que certas imagens, não devidamente legendadas, trazem em si, a possibilidade, a bem dizer, infinita, de interpretações, uma vez que, milhões podem interpretá-las, e cada um tendo a possibilidade de viajar em formas incrivelmente distintas.

Acreditar no poder da imagem como forma direta de transmissão de valores por trazer em seu corpo a descrição de si mesma e a realidade do outro (aquele que a lê), parece ser ferramenta necessária à compreensão de nosso mundo, nossa história.

Portanto, não se pode dizer que uma imagem não tenha em si significado, porquanto, se apresenta a nós como significado e significante, anacrônica, completa; desvelando um universo de canais entre indivíduos, totalmente sem fronteiras, positiva ou negativamente, em prol da necessidade básica de nossa espécie: comunicação.