The Bridge

 

 

Ontem, assisti ao documentário The Bridge de Eric Steel de 2006.

Inspirado por um artigo intitulado The Jumpers (Tad Friend para The New Yorker- 2003) o diretor realizou um ano de filmagens nas redondezas da Ponte Golden Gate.  Seu intuito: filmar os últimos momentos das pessoas que escolhiam aquele local como meio para o suicídio. 

Além das imagens realizadas na ponte, foram colhidos depoimentos de parentes e amigos dos que se suicidaram.

É difícil dizer se me parece justo com aquelas pessoas que suas imagens sejam assim tão simplesmente filmadas e distribuídas. Quadro a quadro de quedas cinematográficas, a angústia ao observar a água, os movimentos hesitantes ao longo das grades. O suicídio é um ato solo que pouco compreendemos.

Mas compreendo o papel da Arte, da Comunicação e, principalmente, a curiosidade humana.  Conseguimos nos identificar com aquelas pessoas reais que sofrem e não suportam suas dores.  Devemos nos identificar com esses indivíduos porque a capacidade de nos sensibilizar com a realidade do outro é uma das condições para nossa sanidade social.

As dificuldades enfrentadas por aquelas pessoas são mais que cotidianas: problemas amorosos, financeiros, problemas de auto estima, perda de entes queridos, distúrbios psicológicos. Dores pelas quais passamos todos os dias e a dor pode ser surpreendente.

Qual é a linha que nos separa? Uma ponte. Talvez uma ponte não tão longa como gostaríamos de imaginar.

4 comentários em “The Bridge

  1. De tudo ficaram três coisas…
    A certeza de que estamos começando…
    A certeza de que é preciso continuar…
    A certeza de que podemos ser interrompidos
    antes de terminar…
    Façamos da interrupção um caminho novo…
    Da queda, um passo de dança…
    Do medo, uma escada…
    Do sonho, uma ponte…
    Da procura, um encontro!
    Fernando Sabino

  2. Oi Amanda, li suas palavras e vi o video. Obrigado por postar e escrever isso.

    Me fez lembrar duma experiencia ha alguns anos quando estava na california na doca com uma amiga curtindo do mar quando escutamos um borrifo e pessoas comecaram falar que um cara saltou para a agua. Alguns minutos depois chegaram salva-vidas e mergulhadores. Era noite. Na agua escura eles buscaram. Por fim subiram com um corpo, a boca fechada com fita adesiva e pesos atados ao corpo. Ele queria morrer.

    Era um homem novo, talvez de 28 anos. Os salva-vidas tentaram o ressuscitar com descarga eletrica tras outra, e por dez minutos todos ficamos olhando, esperando, pensando em porque, na dor que devia te-lo impulsado faze-lo. Ele queria morrer. Teve sucesso.

    Eu fiquei pensando em o que devia ter passado na vida dele, e pensando nos meus entes queridos que tem falado disso, ainda que nunca tentaram. Eu sinto tudo isso agora que li suas palavras e vi o video. Sinto uma tristeza e um escuridao no estomago por essas pessoas que sentem compelidas faze-lo. Queria extender uma mao e toca-las, nao ter medo do escuridao dentro delas e talvez agarra-las, nao deixa-las cair no abismo, talvez eles verem um raio de luz e arriscar mais um dia de vida.

    1. Malcolm, meu caro, você escreveu coisas belas.
      Todos nós temos escuridão e raramente conseguimos tocá-la, menos ainda, temos os nervos necessários para nos aproximar do sombrio no outro.
      Mas como escreveu, a vida é feita de um dia apenas e é nosso prazer e risco tentar o próximo.

      Obrigada por suas palavras,
      bjbj

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